Dina Yaeko Uehara Formaggio

O Mundo dos Exames tem como missão desburocratizar, simplificar e tornar mais acessível o universo dos exames diagnósticos. Tentando aproximar ainda mais a realidade de um laboratório do paciente, entrevistamos Dina Yaeko Uehara Formaggio, biomédica e gerente técnica do Mello Centro de Diagnóstico, que nos contou um pouco mais sobre a rotina e processos em um laboratório e as atribuições profissionais do biomédico.

Dina Yaeko Uehara Formaggio, agradecemos a sua disponibilidade. Muitos estudantes e profissionais da área da saúde também costumam utilizar o Mundo dos Exames, então a senhora pode explicar quais são as atribuições principais de um biomédico?

Dina Yaeko Uehara Formaggio: As atribuições do biomédico vão desde a docência em universidades, bem como atuar nas diversas áreas em análises clínicas, clínicas de imagem (como radiologia, tomografia e ressonância magnética), bancos de sangue, análises bromatológicas (o estudo de alimentos) e laboratórios de criopreservação (conservação de células ou tecidos biológicos). Hoje também existe campo na medicina alternativa, em áreas como a acupuntura e medicina estética.

Quais são as funções desempenhadas pelo gerente técnico dentro do laboratório?

Dina Yaeko Uehara Formaggio: As funções do gerente técnico consistem em:

a) Liderar e administrar o processo operacional: o pré-analítico, analítico e pós-analítico;

b) Realizar a análise de custo dos exames realizados no laboratório, bem como selecionar e escolher equipamentos a serem utilizados para a execução dos exames;

c) Conferir e adequar o fluxo interno dos exames nos equipamentos e atuação da equipe operacional durante o processo;

d) Realizar a análise de resultados dos exames, juntamente com os líderes de cada setor técnico. Além de melhorar o desempenho dos processos de produção, através da otimização da performance dos equipamentos e a adequação dos colaboradores às atividades que foram designados;

e) Formar líderes multiplicadores da cultura da empresa para que haja integração;

f) Alinhar as equipes técnicas, promovendo a interdependência entre os setores para atender o cliente com a qualidade que ele espera;

g) O gerente precisa estar sempre atualizado às necessidades do mercado, realizando a implantação e validação de novas metodologias, a negociação de preços e equipamentos dentro das necessidades do laboratório.

Quais são os principais tipos de materiais coletados para a realização de um exame de análises clínicas?

Dina Yaeko Uehara Formaggio:  Os materiais biológicos mais comuns coletados em análises clínicas são: sangue, urina, fezes , líquor (líquido cefalorraquidiano ou fluído cerebrospinal), raspagens de pele e unha, secreções e materiais coletados através de procedimentos como biopsias. Também existem exames que são realizados no fio de cabelo (como os toxicológicos), na saliva (DNA), no suor e em outros.

Como são divididos os exames de análises clínicas? Quais são suas principais áreas?

Dina Yaeko Uehara Formaggio: Os exames de análises clínicas são divididos por áreas especializadas como por exemplo: bioquímica, hormônio, imunologia, hematologia, urinálise , parasitologia, microbiologia, genética, biologia molecular, anatomopatológico, cromatografia, citologia, entre outros.

 Conte um pouco mais sobre a sua experiência profissional.

Dina Yaeko Uehara Formaggio: Sou biomédica há 34 anos, formada em Ciências Biológicas – Modalidade Médica pela OSEC (atualmente UNISA), possuo especialização em Patologia Clínica (OSEC), Metabolismo Nutricional (USP)  e Didática e Metodologia de Ensino Superior (Escola Paulista de Negócios). Além disso, realizei cursos de administração, estatística e de formação em auditor interno da ONA (Organização Nacional de Acreditação).

A minha carreira teve início durante a minha vida acadêmica onde fui monitora  das aulas práticas de Biomedicina, Medicina e Odontologia na OSEC e, na Faculdade de Medicina da Santa Casa de SP, fui estagiária de microbiologia pelo CCIH com o Dr. Igor Mimica e monitora do laboratório de microbiologia do 3ª ano de Medicina.

A experiência acadêmica serviu de estímulo para o início da minha carreira em pesquisa,  no Instituto de Medicina Tropical (FMUSP) com a Drª Ione Iruleghi e no Laboratório de Rotina e Pesquisa em Metabolismo Nutricional do Instituto da Criança (ICR HCFMUSP), onde agradeço o Dr. Francisco Roque Carrazza (em memória), que muito colaborou na minha formação como pesquisadora e a profissional que sou hoje.

Outro grande desafio da minha vida profissional foi montar o laboratório voltado ao Transplante de Fígado do ICR, para o Dr. Maksoud.  Também ajudei a implantar algumas metodologias do CEATOX (Centro de Assistência Toxicológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP) junto com o Dr. Anthony Wong.

Fui membro da Comissão de Pesquisa do ICR -HCFMUSP  e coordenadora do curso de aprimoramento pela FUNDAP /CAPs das áreas  multidiciplinares. Trabalhei no laboratório de criopreservação para transplante de medula óssea pela Fundação Zerbini/InCor. Prestei consultoria  na reestruturação do laboratório de Urgência do Hospital Universitário de Taubaté (FUST).  Atuei em projeto social e pesquisa no controle de qualidade do silício pela Italmagnésio Nordeste, em parceria com a França. Como gerente técnica em laboratório de análises clínicas, já atuo há 17 anos e no Mello Centro de Diagnóstico, faço parte da equipe desde 2013.

Quais são os principais exames de microbiologia? Eles auxiliam principalmente no diagnóstico/tratamento de quais problemas de saúde ou moléstias?

Dina Yaeko Uehara Formaggio:  Os principais exames de microbiologia são: cultura de urina, cultura de secreções, cultura de fezes, cultura de sangue , cultura de fungos, pesquisa de fungos, entre outros.

Os exames de microbiologia são exames complementares utilizados no diagnóstico de doenças causadas por bactérias identificadas como gram-negativas e gram-positivas que causam doenças graves como: pneumonias, meningites, enterites, tuberculose, infecções urinárias, infecções hospitalares, conjuntivites, septicemias, entre outras. Algumas destas enfermidades quando não identificadas e tratadas a tempo, podem ocasionar a morte.

Com o avanço tecnológico e das pesquisas científicas, a microbiologia está cada vez mais automatizada e utilizando a tecnologia, que permite identificar uma quantidade bem maior de bactérias que a análise humana e manual. Assim como a identificação, os avanços fornecem uma variedade de antibióticos a serem testados e a vantagem de orientar  o clínico a administrar a dose mínima necessária para que o paciente tenha eficácia em seu tratamento. O que também implica em economia do paciente na compra de medicamentos. Nos hospitais, também é possível controlar melhor a infecção hospitalar, devido a diminuição da resistência bacteriana.

Como funciona o processo de análise dentro do laboratório?

Dina Yaeko Uehara Formaggio: O Processo analítico é dividido em 3 partes: pré-analítico, analítico e o pós –analítico.

O pré-analítico corresponde a fase da recepção do cliente, onde o exame é cadastrado conforme o pedido médico. Depois, temos a fase da coleta do material e a fase da triagem do material, conferindo o cadastro e a coleta como prescrita pelo médico. Após conferência, o material é preparado  e encaminhado para o setor técnico para a execução do exame.

A fase analítica corresponde aos setores operacionais do processo de execução do exame, seja ele manual ou automatizado (realizado por equipamentos).

A fase pós-analítica corresponde a conferência do resultado analítico. Neste ponto, o exame pode ser liberado diretamente para a assinatura do responsável ou deve passar pela confirmação de resultado quando apresentar alguma alteração. Por fim, o laudo é assinado pelo profissional do laboratório e disponibilizado para o paciente retirar online ou na unidade.

Como os laboratórios realizam o controle dos resultados, com um número tão grande de pacientes?

Dina Yaeko Uehara Formaggio:  O controle de resultados é feito através de um processo bem minucioso que requer a checagem dos equipamentos de dentro para fora. Realizamos a calibração e análise da performance dos equipamentos , com informações dos componentes eletrônicos que fazem parte do processo de execução analítica, entre eles: corrente elétrica, software, parte ótica (espelhos, filtros), ADC, pipetadores, braços mecânicos, esteiras de amostra e elevadores.

Com o equipamento liberado para a parte analítica, adotamos controles de qualidade internos, para cada tipo de exame. Os controles são compostos de níveis altos, normais e baixos, que atuam em uma faixa de concentração conhecida onde simulamos a situação de uma amostra do paciente dentro de uma curva de controle de qualidade.  Os controles são analisados e os resultados são conferidos dentro do intervalo pré determinado e plotados dentro de uma curva estatisticamente analisada.

Assim, o equipamento é liberado para execução da análise das amostras dos clientes.

Quando trabalhamos com uma quantidade de amostragem analítica muito grande, para termos maior controle do processo operacional, por garantia e confiabilidade do exame, inserimos controles junto das amostragens ou até amostras já previamente analisadas e, conferimos se os resultados no término da análise são os esperados. Dessa forma, temos total segurança e confiabilidade na liberação dos nossos exames.

Por que alguns exames exigem jejum?

Dina Yaeko Uehara Formaggio:  Alguns exames exigem o  jejum pelo metabolismo nutricional, isto é, além das concentração próprias do nosso sangue circulante, a nossa dieta também cria desvios, como é o caso da glicemia, das vitaminas, algumas proteínas e o ferro. Existem diferenças no tempo do metabolismo dos alimentos para cada indivíduo. No final de 2016, foi liberado o consenso onde o tempo de jejum foi flexibilizado. A maioria dos exames não necessita mais de jejum, fato este que permite que o cliente possa escolher o melhor horário para realizar o seu  exame, seja de manhã ou à tarde, dentro da sua comodidade. É importante salientar que o médico conhecendo  o perfil metabólico de seu cliente, poderá decidir se o exame deverá ser realizado em jejum e inclusive decidir o tempo necessário antes da realização do exame.

Quantas pessoas trabalham na análise de exames no Mello Centro de Diagnóstico?

Dina Yaeko Uehara Formaggio:  A área técnica do Mello Centro de Diagnóstico é composta por  32 colaboradores entre auxiliares, técnicos e analistas.

Por último, a senhora tem alguma dica do que os pacientes devem observar em um laboratório na hora de escolher onde realizar seus exames?

Dina Yaeko Uehara Formaggio:  A minha dica para o paciente na escolha do laboratório é: conhecer quem é o laboratório, o tempo que atua no mercado, a qualidade no atendimento desde a recepção, coleta e principalmente nos resultados dos exames. Outra dica importante é se ele oferece flexibilidade de horário para a realização do exame e a comodidade da unidade estar mais próxima da residência do cliente.

O Mundo dos Exames também te ajuda a escolher o melhor laboratório para as suas necessidades, leia mais aqui.

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